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Metamorphoses of the Moon

Posted by Manu Mattos on 19.5.10 in














Cold moons withdraw, refusing to come to terms
with the pilot who dares all heaven's harms
to raid the zone where fate begins,
flings silver gauntlet of his plane at space,
demanding satisfaction; no duel takes place:
the mute air merely thins and thins.

Sky won't be drawn closer: absolute,
it holds aloof, a shrouded parachute
always the same distance from
the falling man who never will abstain
from asking, but inventive, hopes; in vain
challenges the silent dome.

No violation but gives dividends
of slow disaster: the bitten apple ends
the eden of bucolic eve:
understanding breaks through the skull's shell
and like a cuckoo in the nest makes hell
for naive larks who starve and grieve.

What prince has ever seized the shining grail
but that it turned into a milking pail ?
It's likely that each secret sought
will prove to be some common parlor fake:
a craft with paint and powder that can make
cleopatra from a slut.

For most exquisite truths are artifice
framed in disciplines of fire and ice
which conceal incongruous
elements like dirty socks and scraps
of day-old bread and egg-stained plates; perhaps
such sophistry can placate us.

But yet the perverse imp within will probe
beneath the fringes of forbidden robe,
seduced by curiosity,
until in disenchantment our eyes glut
themselves on the clay toes and short clubfoot
which mar the idol's sanctity.

The choice between the mica mystery
of moonlight or the pockmarked face we see
through the scrupulous telescope
is always to be made: innocence
is a fairy-tale; intelligence
hangs itself on its own rope.

Either way we choose, the angry witch
will punish us for saying which is which;
in fatal equilibrium
we poise on perilous poles that freeze us in
a cross of contradiction, racked between
the fact of doubt, the faith of dream.

Sylvia Plath

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Unclothed, you are true, like one of your hands

Posted by Manu Mattos on 11.5.10 in


















Unclothed, you are true, like one of your hands,
lissome, terrestrial, slight, complete, translucent,
with curves of moon, and paths of apple-wood:
Unclothed you are as slender as a nude ear of corn.

Undressed you are blue as Cuban nights,
with tendrils and stars in your hair,
undressed you are wide and amber,
like summer in its chapel of gold.

Naked you are tiny as one of your fingertips,
shaped, subtle, reddening till light is born,
and you leave for the subterranean worlds,

as if down a deep tunnel of clothes and chores:
your brightness quells itself, quenches itself, strips itself
down
turning, again, to being a naked hand.

Pablo Neruda

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Hope

Posted by Manu Mattos on 10.5.10 in
 


















"Hope" is the thing with feathers—
That perches in the soul—
And sings the tune without the words—
And never stops—at all—

And sweetest—in the Gale—is heard—
And sore must be the storm—
That could abash the little Bird
That kept so many warm—

I've heard it in the chillest land—
And on the strangest Sea—
Yet, never, in Extremity,
It asked a crumb—of Me.

Emily Dickinson

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Sonnets full of love

Posted by Manu Mattos on 9.5.10 in ,














Sonnets are full of love, and this my tome
Has many sonnets: so here now shall be
One sonnet more, a love sonnet, from me
To her whose heart is my heart’s quiet home,
To my first Love, my Mother, on whose knee
I learnt love-lore that is not troublesome;
Whose service is my special dignity,
And she my loadstar while I go and come
And so because you love me, and because
I love you, Mother, I have woven a wreath
Of rhymes wherewith to crown your honored name:
In you not fourscore years can dim the flame
Of love, whose blessed glow transcends the laws
Of time and change and mortal life and death.

Cristina Rossetti

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Traduzir-se

Posted by Manu Mattos on 7.5.10 in














Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
alomoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
_ que é uma questão
de vida ou morte _
será arte?

Ferreira Gullar

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Aquele que cede ante ao obstáculo

Posted by Manu Mattos on 5.5.10 in



















"Aquele que cede ante ao obstáculo, que desiste diante da dificuldade, já perdeu a batalha sem a ter enfrentado. Não raro, o obstáculo e a dificuldade são mais aparentes que reais, mais ameaçadores do que impeditivos. Só se pode avaliar após o enfrentamento. Ademais, cada vitória conseguida se torna aprimoramento da forma de vencer e cada derrota ensina a maneira como não se deve tentar a luta. Essa conquista é proporcionada mediante o esforço de prosseguir sem desfalecimento e insistir após cada pequeno ou grande insucesso. O objetivo deve ser conquistado, e, para tanto, a coragem do esforço contínuo é indispensável.
Muitas vezes será necessário parar para refletir, recuar para renovar forças e avançar sempre. É uma salutar estratégia aquela que faculta perder agora o que é de pequena monta para ganhar resultados permanentes e de valor expressivo depois."

Joanna de Angelis

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O Amor

Posted by Manu Mattos on 2.5.10 in ,

















"O AMOR é substância criadora e mantedora do Universo, constituído por essência divina. É um tesouro que, quanto mais se divide, mais se multiplica, e se enriquece à medida que se reparte. Mais se agiganta, na razão que mais se doa. Fixa-se com mais poder, quanto mais se irradia. Nunca perece, porque não entibia nem se enfraquece, desde que sua força reside no ato mesmo de doar-se, de tornar-se vida. Assim como o ar é indispensável para a existência orgânica, o AMOR é o oxigênio para a alma, sem o qual a mesma se enfraquece e perde o sentido de viver. É imbatível, porque sempre triunfa sobre todas as vicissitudes e ciladas.

Quando aparente - de caráter sensualista, que busca apenas o prazer imediato - se debilita e se envenena, ou se entorpece, dando lugar à frustração. Quando real, estruturado e maduro - que espera, estimula, renova - não se satura, é sempre novo, ideal, harmônio, sem altibaixos emocionais. Une as pessoas, porque reúne as almas, identifica-as no prazer geral da fraternidade, alimentando o corpo e dulcificando o eu profundo. O prazer legítimo decorre do AMOR pleno, gerador da felicidade, enquanto o comum é devorador de energias e de formação angustiante. O estado de prazer difere daquele de plenitude, em razão de o primeiro ser fugaz, enquanto o segundo é permanente, mesmo que sob a injunção de relativas aflições e problemas-desafios que podem e dever ser vencidos. Somente o AMOR real consegue distinguí-los e os pode unir quando se apresentem esporádicos.

A ambição, a posse, a inquietação geradora de insegurança - ciúme, incerteza, ansiedade afetiva, cobrança de carinhos e atenções - a necessidade de ser amado, caracterizam o estágio do amor infantil, obsessivo, dominador, que pensa exclusivamente em si antes que no ser amado.

A confiança, suave-doce e tranquila, a alegria natural e sem alarde, a exteriorização do bem que se pode e se deve executar, a compaixão dinâmica, a não posse, a não dependência, não exigência, são benesses do AMOR pleno, pacificador, imorredouro. Mesmo que se modifiquem os quadros existenciais, se alterem as manifestações da afetividade do ser amado, o AMOR permanece libertador, confiante, indestrutível. Nunca se impõe porque é espontaneo como a própria vida e irradia-se mimetizando, contagiando de jubilos e paz.
Expande-se como um perfume que impregna, agradavel, suavemente, porque não é agressivo nem embriagador ou apaixonado...

O AMOR não se apega, não sofre a falta, mas frui sempre porque vive no intimo do ser e não das gratificações que o amado oferece.

O AMOR DEVE SER SEMPRE O PONTO DE PARTIDA DE TODAS AS ASPIRAÇÕES E A ETAPA FINAL DE TODOS OS ANELOS HUMANOS

Joanna de Angelis

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Beijo Eterno

Posted by Manu Mattos on 2.5.10 in














Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!
Ferve-me o sangue.
Acalma-o com teu beijo,
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

Fora, repouse em paz
Dormindo em calmo sono a calma natureza,
Ou se debata, das tormentas presa,
Beija inda mais!
E, enquanto o brando calor
Sinto em meu peito de teu seio,
Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio,
Com o mesmo ardente amor!...

Diz tua boca: "Vem!"
Inda mais! diz a minha, a soluçar... Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! morde mais!
que eu morra de ventura,
Morto por teu amor!

Castro Alves

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